Como integrar IT, OT e gestão em tempo real

A convergência entre IT e OT representa a integração entre redes corporativas (Information Technology) e sistemas industriais (Operational Technology), permitindo que dados de chão de fábrica sejam coletados, processados e analisados em tempo real por plataformas corporativas. Essa integração não ocorre de forma espontânea: exige arquitetura de rede adequada, governança clara, políticas de segurança convergentes e interoperabilidade entre sistemas legados e soluções digitais modernas.

Sem essa base técnica, iniciativas de Indústria 4.0, como manutenção preditiva, analytics avançado, digital twins e controle remoto de processos, permanecem limitadas a pilotos isolados, sem impacto estrutural no desempenho operacional.

Limitações das redes industriais tradicionais

Nas plantas industriais convencionais, a infraestrutura de rede foi concebida para comunicação determinística entre controladores lógicos programáveis (CLPs), sistemas SCADA e dispositivos de campo, com foco em disponibilidade e tempo de resposta local, não em integração com sistemas corporativos ou análise massiva de dados.

Esse modelo gera gargalos técnicos relevantes, como:

  • Latência elevada em tráfego não determinístico;
  • Falta de segmentação lógica entre domínios críticos e não críticos;
  • Ausência de visibilidade sobre tráfego e eventos de segurança;
  • Dificuldade de escalabilidade para suportar IIoT, edge computing e integração com nuvem.

Como consequência, a confiabilidade dos dados é comprometida, a tomada de decisão é atrasada e o risco operacional aumenta.

Arquitetura adequada para ambientes convergentes

Uma arquitetura IT/OT moderna deve ser baseada em princípios como segmentação de rede, zonas e conduítes (conforme IEC 62443), redundância de comunicação, alta disponibilidade e gerenciamento centralizado. Isso envolve a adoção de switches industriais gerenciáveis, redes determinísticas (como TSN), protocolos industriais seguros e integração com sistemas de monitoramento corporativos.

Além disso, é essencial implementar:

  • VLANs e firewalls industriais para isolamento de tráfego crítico;
  • DMZ industrial para intermediação entre IT e OT;
  • Monitoramento contínuo de ativos OT com ferramentas de visibilidade passiva;
  • Infraestrutura compatível com edge analytics e gateways IIoT.

Essa base técnica permite que dados operacionais fluam com segurança, confiabilidade e baixa latência entre os diferentes níveis da organização.

Dados confiáveis como base para decisões operacionais

Quando IT e OT operam de forma integrada, os dados deixam de ser fragmentados e passam a compor um ecossistema informacional coerente, onde indicadores de produção, qualidade, consumo energético, manutenção e desempenho de ativos são consolidados em tempo real.

Essa integração viabiliza:

  • Monitoramento contínuo de KPIs operacionais;
  • Análise preditiva baseada em machine learning;
  • Detecção antecipada de falhas e anomalias;
  • Otimização de processos com base em dados históricos e contextuais.

O impacto direto é a transição de uma gestão reativa para uma gestão preditiva e prescritiva, com maior controle sobre custos, riscos e desempenho.

Segurança cibernética em ambientes convergentes

A convergência IT/OT amplia a superfície de ataque dos ambientes industriais, tornando indispensável a adoção de estratégias de cibersegurança específicas para sistemas críticos. Isso inclui a aplicação de modelos de defesa em profundidade, autenticação forte, segmentação de redes, gestão de vulnerabilidades e resposta a incidentes.

Sem esses controles, a integração pode expor sistemas industriais a riscos como:

  • Interrupções de produção causadas por ataques cibernéticos;
  • Manipulação de dados operacionais;
  • Comprometimento de segurança física e ambiental;
  • Não conformidade com normas regulatórias e de segurança industrial.

Portanto, segurança não é um complemento da convergência: é um pré-requisito técnico.

Cultura organizacional e liderança como fatores estruturais

Nenhuma arquitetura técnica se sustenta sem uma cultura organizacional alinhada e liderança ativa. A convergência IT/OT exige colaboração entre áreas historicamente separadas, redefinição de responsabilidades, novos fluxos de governança e uma visão compartilhada sobre dados como ativo estratégico.

Isso implica:

  • Alinhamento entre equipes de automação, TI, engenharia e operações;
  • Revisão de processos de tomada de decisão;
  • Investimento em capacitação técnica e gestão da mudança;
  • Patrocínio executivo claro e contínuo.

Sem esse suporte institucional, a tecnologia tende a ser subutilizada e os ganhos esperados não se consolidam.

Do “feeling” à operação orientada por dados

Operações baseadas em planilhas, relatórios defasados e percepção subjetiva refletem limitações estruturais tanto na infraestrutura quanto na cultura organizacional. A convergência IT/OT permite substituir esse modelo por uma operação orientada por dados confiáveis, contextualizados e disponíveis em tempo real.

Essa transição não representa apenas um avanço tecnológico, mas uma mudança de postura gerencial: da reação à antecipação, da intuição à evidência, da fragmentação à integração.

O futuro industrial começa quando a liderança decide enxergar a operação como ela realmente é: dinâmica, complexa, interconectada e orientada por dados. A convergência entre IT e OT não é apenas um projeto técnico, mas uma transformação estrutural que redefine como a indústria opera, decide e evolui.

Nesse cenário, contar com um parceiro capaz de projetar, implantar e sustentar infraestruturas críticas é decisivo. A Redes Tecnologia atua justamente nesse ponto: estruturando redes industriais robustas, seguras e escaláveis, alinhadas a normas como IEC 62443, às melhores práticas de arquitetura IT/OT e às demandas reais de operação.

Mais do que integrar sistemas, a Redes viabiliza ambientes onde dados fluem com confiabilidade, a segurança é parte da arquitetura e a gestão ganha visibilidade em tempo real. É assim que a tecnologia deixa de ser promessa e passa a ser prática: sustentando decisões melhores, operações mais eficientes e um futuro industrial verdadeiramente conectado.

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