Por que a corrida pela Inteligência Artificial é, antes de tudo, uma corrida por infraestrutura

Por muitos anos, o debate sobre Inteligência Artificial girou em torno de algoritmos, modelos e dados. Qual modelo usar? Como treinar melhor? Quais dados coletar? São perguntas legítimas, mas incompletas.

 

Existe uma camada anterior a tudo isso, silenciosa e frequentemente subestimada, que determina se um projeto de IA vai prosperar ou fracassar antes mesmo de entregar seu primeiro resultado: a infraestrutura.

Esse é o ponto cego de grande parte das organizações brasileiras hoje.

 

O tamanho do movimento que está acontecendo

 

Os números globais já dizem muito. Segundo o Gartner, os gastos mundiais com TI devem atingir US$ 6,31 trilhões em 2026, um crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior, e o segmento com maior crescimento projetado não é software, não é nuvem: são os sistemas de data center, com alta de 55,8%, chegando a aproximadamente US$ 788 bilhões.

 

Em paralelo, os investimentos globais direcionados especificamente à Inteligência Artificial devem totalizar US$ 2,52 trilhões em 2026, alta de 44% frente a 2025. Desse total, a maior fatia está concentrada justamente em infraestrutura, servidores, data centers e hardware especializado para suportar algoritmos e volumes massivos de processamento.

 

No Brasil, o movimento segue a mesma direção, com intensidade própria. O mercado brasileiro de TI cresceu 18,5% em 2025, superando a média global de 14,1%, e o país consolidou a 10ª posição no ranking mundial de investimentos em tecnologia, segundo relatório da ABES em parceria com a IDC. Ainda de acordo com a IDC, os investimentos em IA no Brasil (incluindo infraestrutura, software e serviços) devem chegar a US$ 3,4 bilhões em 2026, crescimento acima de 30% em relação ao ano anterior.

 

O país também concentra quase metade dos investimentos em infraestrutura de TI de toda a América Latina, sendo que o mercado de networking na região deve atingir cerca de US$ 5,1 bilhões, impulsionado diretamente pelo aumento no volume de dados e pelas exigências crescentes das aplicações de IA.

 

Por que a infraestrutura é o pré-requisito que ninguém quer discutir

 

Existe uma lógica sedutora no mercado de IA: comprar a solução primeiro e pensar na base depois. Contratar uma plataforma, assinar um serviço, implementar um modelo, e depois descobrir que a rede não aguenta a latência exigida, que o data center não comporta as GPUs necessárias, ou que a conectividade entre sistemas fragmenta os dados em tempo real.

 

O resultado dessa ordem invertida já tem estatísticas. Segundo o Gartner, 30% dos projetos de IA em 2025 falharam por problemas de escalabilidade na integração com processos de negócio, reforçando a necessidade de ambientes de baixa latência e infraestrutura preparada. Um levantamento do MIT, o “GenAI Divide: State of AI in Business 2025”, foi ainda mais contundente: cerca de 95% dos projetos piloto de IA generativa não geram retorno sobre o investimento. E um estudo da IDC apontou que 20% das iniciativas de IA falham diretamente por limitações de infraestrutura de dados, incluindo acesso restrito, falta de integração e arquiteturas inadequadas.

 

Esses números não são um argumento contra a IA. São um argumento a favor de fazê-la corretamente.

 

O Gartner descreve o momento atual como o início de um “superciclo da inteligência”, em que a IA generativa e os dispositivos inteligentes estão remodelando toda a cadeia de valor tecnológica. Nesse ciclo, a infraestrutura não é suporte, é o próprio campo de jogo.

 

O que “infraestrutura para IA” significa na prática

 

Quando falamos em infraestrutura para suportar cargas de trabalho de IA, estamos falando de um conjunto de camadas que precisam funcionar de forma integrada:

 

  • Processamento e hardware especializado: Cargas de IA exigem GPUs e aceleradores de alta performance. A demanda por servidores otimizados para treinamento de modelos de linguagem e aprendizado profundo está crescendo a ponto de criar escassez global de componentes, um problema que afeta diretamente o planejamento de TI das empresas brasileiras em 2026;

 

  • Conectividade de altíssima velocidade:  Redes Ethernet de alta velocidade nas especificações 400G e 800G tornaram-se componentes estratégicos para suportar as cargas de trabalho de inteligência artificial. A demanda global por módulos ópticos de 800G cresceu 60% em 2025, segundo análises do setor, uma expansão que reflete diretamente a pressão que a IA impõe sobre as redes corporativas;

 

  • Baixa latência como requisito crítico: A diferença entre uma rede com latência controlada e uma rede saturada pode determinar se um modelo de IA responde em milissegundos ou em segundos. Em aplicações de inferência em tempo real, como sistemas de recomendação, monitoramento preditivo e automação de processos; essa diferença não é técnica: é de resultado de negócio;

 

  • Data centers preparados para densidade energética: As cargas de trabalho de IA aceleraram a demanda por sistemas de refrigeração mais eficientes e por uma gestão energética mais inteligente. Segundo análise da Vertiv, data centers estão sendo redesenhados como unidades de computação integradas, com densificação extrema e novos padrões de distribuição de energia. No Brasil, o segmento de data centers é apontado pela IDC como o de maior crescimento em 2026, mesmo diante de desafios regulatórios e tributários;

 

  • Ambientes híbridos como arquitetura dominante: O mercado não está migrando tudo para a nuvem nem trazendo tudo de volta para ambientes locais, está calibrando. Segundo pesquisa da IDC com líderes empresariais da América Latina, 60% das empresas utilizarão ambientes híbridos até 2030 para otimizar IA. A lógica é simples: cloud pública para picos de processamento e flexibilidade; on-premises e colocation para latência controlada, soberania de dados e cargas sensíveis.
 
O Brasil como protagonista e os desafios que acompanham esse papel

 

O país ocupa hoje uma posição singular. Concentra 38,4% de todo o mercado de TI da América Latina e responde por 48% da capacidade instalada de data centers na região, segundo dados da JLL. Grandes investimentos confirmam essa centralidade: a Microsoft comprometeu US$ 2,7 bilhões em infraestrutura de cloud e IA no Brasil, e a AWS anunciou expansão com US$ 1,8 bilhão em investimentos locais.

 

Para os gestores de TI brasileiros, esse cenário cria uma janela de oportunidade clara, mas também exige decisões estratégicas que vão além da escolha de uma plataforma de IA. Os principais CIOs do país já sinalizaram essa consciência: segundo pesquisa do IT Forum Inteligência, os dois maiores focos de investimento para 2026 são cibersegurança (74%) e gestão de dados (64%), áreas diretamente relacionadas à solidez da infraestrutura que sustenta a IA.

 

É o reconhecimento prático de que, sem uma base robusta, a inteligência artificial não escala. E sem escalar, não gera o retorno esperado.

 

A pergunta que toda liderança de TI deveria estar fazendo

 

Antes de decidir qual modelo de IA implementar, qual ferramenta de GenAI contratar ou qual caso de uso priorizar, existe uma pergunta mais fundamental que precisa ser respondida com honestidade:

 

A infraestrutura da nossa organização está preparada para suportar o que estamos prestes a colocar em cima dela?

 

Isso significa avaliar a capacidade da rede, a latência dos sistemas críticos, a arquitetura dos data centers, a integração entre ambientes on-premises e cloud, e a segurança de todo esse ecossistema. Não como uma checklist técnica, mas como uma decisão estratégica, porque a infraestrutura que sustenta a IA é, cada vez mais, a infraestrutura que sustenta o negócio.

 

As empresas que entenderem isso agora, e que tratarem a base tecnológica como um ativo estratégico, e não como um custo operacional, estarão mais bem posicionadas para transformar o investimento em IA em resultado real. As demais vão continuar acumulando provas de conceito que nunca chegam à produção.

 

 

A Redes Tecnologia atua há mais de 20 anos no projeto, implantação e suporte de infraestruturas críticas de TI, com capilaridade nacional e portfólio completo em soluções de redes, data center, conectividade e segurança. Do projeto ao suporte, acompanhamos o desenvolvimento da sua empresa.

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